não deixe seu bebê chorar até acostumar!

‎"Por que você não desfruta, como mãe, dessa maravilhosa sensação de receber um amor absoluto? Você se sentiria melhor se seu bebê só a chamasse quando tivesse fome, sede ou frio e a ignorasse totalmente quando estivesse satisfeito? Ninguém negaria comida a um bebê que chorasse de fome, ninguém deixaria de agasalhar a um bebê que chora de frio. Você vai deixar de pegar um bebê que chora porque precisa de carinho?"

Por Carlos González


---

Quer ensinar seu bebê a dormir de maneira humana e carinhosa: esqueça o nana nenê e o nana nenê. O livro certo é soluções para noites sem choro.

---

O auto do controverso método Nana Nenê reviu suas teorias e não recomenda mais o método - agora ele tem outro livro:

As palavras do Sr E.Estivill: "Recentemente publicamos o livro 'A Dormir' em que o tema central diz respeito ao sono infantil. O livro explica algumas regras para ensinar os bebes dormirem corretamente respeitando a amamentaçao materna, e os estudos cientificos que fizemos e foram publicados em revistas espanholas de pediatria foram feitos com bebes em
que o prè requisito era a amamentaçao. No cèrebro dos bebes existe um grupo de cèlulas que sao consideradas o relògio biològico. Esse relògio diz que devemos dormir a noite e estar acordados durante o dia.Como outras estruturas cerebrais dos bebes, este relògio bilològico è imaturo ao nascimento. Por isso os bebes dormem em etapas e nao conseguem dormir toda a noite atè aos seis meses de idade. O METODO DESCRITO NO LIVRO 'NANA NENE' ERA PARA SER APLICADO EM CRIANçAS MAIORES DE 3 MESES QUE SOFREM A CHAMADA INSONIA INFANTIL POR HàBITOS INCORRETOS. ESSAS REGRAS NAO PODEM SER APLICADAS EM CRIANçAS MENORES DE 3 MESES DEVIDO A IMATURIDADE DOS SEUS RELOGIOS BIOLOGICOS. Nesse caso è aconselhado a pràtica de outras rotinas que respeitem a amamentaçao materna , para que o relògio biològico do bebe aprenda a sincronizarse com o ambiente e assim chegar aos seis meses com o sono noturno adequado, ou seja, cerca de 11 horas e mais 3 soninhos durante o dia: Um depois do ccafè da manha, outro depois do almoòo e outro na hora do lanche. No nosso livro 'A Dormir' explicamos essa nova descoberta cientifica e propomos um mètodo guia apropriado atè que o bebe, que segue sendo amamentado no seio, tenha uma estruturaçao adequada do sono"


http://www.elpais.com/edigitales/entrevista.html?id=9446

minhas reflexões:
ele fala que o livro antigo mandava aplicar com três meses:

"Las normas que explicábamos en 'Duermete niño' eran para los niños a partir de los tres meses que tenían el denominado 'insomnio infantil por hábitos incorrectos'. Estas norma no pueden ser aplicadas en los niños más pequeños por esta inmadurez de su reloj biológico." <--- beb="" bitos="" de="" fala="" h="" incorretos...="" insonia="" livro="" menores="" meses="" o="" os="" que="" s="" span="" tem="" tiveram="" tr="">

mas reconsidera o que o livro dizia e escreveu OUTRO LIVRO

bem no início ele fala do novo livro - da atualização sobre o que ele dizia:
"Es el que nos indica que hemos de dormir de noche y estar despiertos de día. Como otras estructuras del cerebro de los niños, este reloj biológico es inmaduro al nacer. Por esto los niños duermen a trocitos y no pueden dormir de un tirón las horas nocturnas hasta los seis meses de edad. " <---- a="" antes="" beb="" dos="" durma="" ele="" explica="" meses="" n="" natural="" noite="" o="" que="" seis="" span="" toda="">

e logo em seguida reconsidera a própria norma: "En nuestro libro 'A dormir' explicamos estos nuevos conocimientos científicos y damos las pautas adecuadas para que el niño, siguiendo la lactancia a demanda, pueda ir estructurando adecuadamente su sueño." <---- agora="" com="" do="" e="" ele="" ficar="" ficou="" joga="" lata="" livro="" lixo="" mais="" na="" novo="" o="" primeiro.="" rico="" segundo.="" span="" um="" vai="">

na dúvida, eu não seguiria um conselho deste senhor, prefiro mil vezes compilar teorias e seguir meus instintos do que me deixar pautar por métodos revolucionários que entregam umas boas noites de sono e consequências nefastas para o resto da vida. posso falar, pois fui criada assim: pouco colo e dormir sozinha no berço para não ficar mal acostumada - hoje tenho diversas questões emocionais ligadas a estes primeiros meses de vida. posso até causar outros traumas, mas meus filhos nunca se sentirão abandonados...


---- 


Leia mais sobre o movimento internacional não deixe seu bebê chorando: aqui. Consiste num manisfesto internacional contra o livro "Nana Nenê". Confesso que li dois exemplares com o mesmo título quando minha maior era bebê.

Quando li o primeiro, fiquei tão chocada que liguei para quem me indicou a leitura para dizer uns desaforos, mas eu tinha comprado errado. Troquei pelo mais leve, mas é menos horripilante, mas é absurdo do mesmo jeito.

Dos dois, aproveitei apenas o que estava descrito sobre a interligação das rotinas de alimentação e sono, que é real: quanto mais arrumado for o dia da criança, melhor ela vai dormir e se "comportar" (sem birras, choros ou mal-humor).

---

Parece aterrorizante ficar sem dormir a noite por um ano ou mais, agora imagine a sensação de desamparo de gritar, chorar, soluçar e as pessoas que supostamente deveriam e deverão estar sempre ao seu lado, simplesmente desaparecem. Você é adulto e entende, agora imagine um bebê que acabou de sair do conforto do seu colinho, onde ficou por nove meses.

Acredite: vai passar! Elabore estratégias para cochilar durante o dia, faça revezamento com o pai, a avó, o tio, sei lá, até pague alguém, mas nunca, DIGO NUNCA, deixe seu bebê chorar até acostumar.
Quando seu bebê for adolescente você terá saudades destes motivos atuais que te impedem de dormir. Isso também passa!

***

Leia este texto aqui:

Dependência, choro e responsabilidade

Mario Lima
Moro em uma casa cujo muro de uns quinze metros fica bem ao lado de uma escola. A escolinha vai do berçário até o maternal, e algumas tardes quando faz calor e as janelas ficam abertas não tenho como não ficar impressionado com o barulho do choro das crianças. Trata-se de uma das escolas mais caras da cidade e tenho certeza que os pais se orgulham de poder dar o melhor para os seus filhos. Mas isso não impede que os bebês continuem chorando. O que me deixa o coração mais apertado são os bebês de colo, que passam a maior parte do dia aí. Da pra identificar pelo timbre e pela insistência o choro que alguns deles não têm mais do que quatro ou cinco meses.
Por mais incompreensível que isso pareça pra mim que sou pai de uma menina de um ano e de um menino de três, sei que algumas pessoas iriam argumentar: mas será que é tão terrível chorar assim? Vai chegar uma hora que o bebê vai parar de chorar, não é? E se ficarmos sempre a disposição da criança, por qualquer chorinho, ele não vai ficar muito dependente? E depois, não vai acabar sofrendo pra viver em sociedade?
Dependência. É engraçado, às vezes quando acompanho a minha esposa na apresentação dos wraps slings (panos para carregar o bebê) o comentário que ouço com freqüência é: – carregar e ficar com o bebê tão próximo assim não vai fazer com que ele fique muito dependente? Também na França, onde vivi com minha família, pude observar que a grande preocupação das mães era que os seus bebês não ficassem dependentes delas, pois assim elas poderiam voltar mais cedo a trabalhar ou ter outra atividade. Muitas justificavam não ter nem começado a amamentar para justamente não criar essa “dependência”, pois saberiam que em quatro meses após o nascimento já teriam que voltar a exercer suas profissões.
Todos esses argumentos na nossa sociedade são aceitos até com certa naturalidade e parecem justificáveis pela forma em que vivemos, sobretudo nas grandes cidades. No Brasil, vejo também essa preocupação pela independência particularmente nas mulheres da minha geração. E não é difícil de entender! Nos nossos dias, o modelo de mulher de trinta anos, bem sucedida, é aquela linda e maravilhosa que além de tudo, manda muito bem na sua profissão. Qualquer coisa que empeça essa mulher de conquistar sua autonomia e lhe fazer se sentir valorizada, vai ser visto como um obstáculo. Mesmo que essa “coisa” seja um bebê.
Vivemos em um mundo que não reconhece o choro das crianças assim como não reconhece as suas necessidades mais básicas de proximidade e de afeto. Vivemos em um mundo que separa as pessoas, cada vez mais cedo, e onde os vínculos se fragilizam pouco a pouco. Vivemos em um mundo onde a responsabilidade dos pais se dilui e já não se sabe mais quem é que deve assumir a educação dos filhos.
É preciso estar ciente que uma criança é sim inteiramente dependente, e de que são os pais os verdadeiros responsáveis pelo seu bem estar. Se uma criança chora é responsabilidade dos pais atenderem esse choro, e não de alguma forma evitar ouvi-lo. E vamos perceber que isso é muito positivo se compreendermos que a dependência da criança é uma oportunidade para lhe transmitir os valores essenciais ao seu bem estar. É nesse momento que os vínculos se formam e que os sentimentos começam a ser compreendidos. O choro é rico de ensinamento e se uma criança chora é por que ela tem necessidade. Somos nos adultos que somos capazes de pouco a pouco ajudar a criança a compreender e ou verbalizar essa necessidade. A criança com isso se sente valorizada, pois tem os seus sentimentos e necessidades colocados em um lugar de importância. É importante ficar claro que ouvir e entender uma necessidade é muita vezes mais importante que satisfazê-la.
Na verdade, ao deixar voluntariamente um bebê chorar, os pais ou o substituto maternal estão criando um homem que mais tarde poderá ter dificuldades para reconhecer o seu valor, para se ouvir e ser ouvido, e, sobretudo que não acreditará na relevância das suas necessidades. Ao deixarmos um bebê chorar simplesmente, temos grandes chances de estarmos criando um indivíduo perigoso, capaz muitas vezes das maiores violências, pois assim como ele aprendeu a não ter suas sensações e necessidades reconhecidas terá dificuldade de identificar e de reconhecer as necessidades dos seus próximos.
Essa “dependência” nos primeiros anos é necessária e fundamental e ela não dura pra sempre. O interessante é que como na lei física da ação e reação, quanto mais se dá nos primeiros meses em termos de proximidade, mais a criança reage para se liberar e por si só vai se fortalecendo e construindo por si mesma a sua independência, pois ela também já vem “programada” com uma natural necessidade de autonomia.
 do blog: http://aobabebe.blogspot.com/2009/06/dependencia-choro-e-responsabilidade.html

***

E também este aqui:


Quero colo!

Depois de ler o artigo, dei adeus ao meu último preconceito em relação ao vicio em colo e à cama compartilhada.


Pensei:


Alguém já viu filho de índio dependente? "Ah mãe! Pesca aqui pra mim?". Não, né? Então definitivamente não será isso que transformará o Lorenzo em alguém dependente/independente.

E se não é, deixarei pra me preocupar no futuro.

Pesquisa de Harvard diz: Crianças precisam de toque e atenção
By Alvin Powell
A postura americana “deixe-os chorar” para com as crianças pode causar mais medos e lágrimas entre adultos, de acordo com dois pesquisadores da Faculdade de medicina de Harvard.

Ao invés de deixar o bebê chorar, os pais deveriam manter seus bebês próximos, consolá-los quando choram e levá-los para cama com eles, onde sentem-se seguros, de acordo com a pesquisa de Michael L. Commons and Patrice M. Miller do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina.

Os pesquisadores examinaram as práticas educativas aqui (nos EUA) e em outras culturas e dizem que a prática generalizada de colocar bebês em camas separadas – até mesmo em quartos separados - e não responder rapidamente ao seu choro, pode levar a incidentes de stress pós-traumático e transtorno de pânico quando estas crianças chegam à idade adulta
O stress precoce resultante da separação causa mudanças no cérebro infantil que os tornam adultos mais suscetíveis ao stress em suas vidas, dizem Commons and Miller.

“Pais deviam reconhecer que deixar seus bebês chorando desnecessariamente prejudica o bebê de forma permanente.” diz Commons. “Isso modifica o sistema nervoso tornando-os excessivamente sensiveis a traumas futuros.”

O trabalho dos pesquisadores de Harvard é único porque tem uma abordagem multi-disciplinar, examina as funções cerebrais, o aprendizado emocional em bebês e as diferenças culturais, de acordo com Charles R. Figley, diretor do Instituto de Traumatologia da Universidade Estadual da Flórida e editor do jornal de Traumatologia.

“É muito incomum, mas extremamente importante encontrar esse tipo de interdisciplinariedade e multidisciplinariedade nos relatórios de pesquisa” diz Figley. “Ela leva em conta as diferenças culturais nas respostas emocionais das crianças e sua habilidade de lidar com o stress, incluindo o stress traumático.”
Figley disse que a pesquisa de Commons e Miller iluminou o caminho para um estudo mais aprofundado e poderia ter implicações para tudo, desde os esforços dos pais para estimular a inteligência das crianças até práticas como a circuncisão.

Commons foi professor e pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina desde 1987 e é membro do Programa de Psiquiatria e Direito.
Miller foi pesquisadora no Programa da Escola de Psiquiatria e Direito desde 1994 e professora assistente de psicologia na Salem State College desde 1993. Ela é mestre e doutora em desenvolvimento humano pela Graduate School of Education

Os pesquisadores dizem que as práticas de educação americanas são influenciadas pelo medo de que as crianças cresçam dependentes. Mas eles dizem que os pais estão no caminho errado: o contato físico e a estabilidade os farão mais seguros e capazes de formar um relacionamento adulto, quando finalmente vão partir por si próprios.

"Nós enfatizamos tanto a independência que isso está gerando alguns efeitos colaterais negativos," disse Miller.

Os dois ganharam os holofotes, em fevereiro, quando apresentaram suas idéias na reunião anual da American Association for the Advancement of Science's (Associação Americana para o Avanço da Ciência), na Filadélfia.

Commons e Miller, usando dados de Miller, trabalharam em cima das compilações de Robert A. LeVine, Professor de Educação e Desenvolvimento Humano da Roy Edward Larsen, que comparou as práticas americanas de criar crianças com as práticas de outras culturas, particularmente o povo Gusii do Quênia. As mães Gusii dormem com seus bebês e respondem rapidamente quando o bebê chora.

"As mães Gusii, assistindo vídeos de mães dos EUA, preocuparam-se com o tempo essas mães levam para responder ao choro do bebê," disseram Commons e Miller, em seu artigo sobre o assunto.

A maneira como somos educados influencia a sociedade como um todo, dizem Commons e Miller. Americanos em geral não gostam de ser tocados e se orgulham de serem independentes ao ponto de isolamento, mesmo quando submetidos a um momento difícil ou estressante.

Apesar do juízo convencional de que os bebês devem aprender a serem deixados sozinhos, Miller disse que acredita que muitos pais "trapaceiam ", mantém o bebê no quarto com eles, pelo menos inicialmente. Além disso, uma vez que a criança possa engatinhar, ela acredita que muitos encontram seu caminho para o quarto dos pais por conta própria.

Pais americanos não deveriam se preocupar com esse comportamento ou ter medo de infantilizar ("embebezar") seus bebês, dizem Commons e Miller. Os pais devem se sentir livres para dormir com seus filhos, para manter suas crianças (toddler não tem equivalente em português, mas são crianças entre 1 e 5 anos) por perto, talvez em um colchão no mesmo quarto, e confortar o bebê quando ele chorar.

"Há maneiras de crescer e ser independente, sem traumatizar os bebês", diz Commons. "Meu conselho é manter as crianças seguras para que elas possam crescer e assumir alguns riscos".

Além do medo da dependência, os pesquisadores disseram que outros fatores têm ajudado a formar as nossas práticas educativas, incluindo os medos de que as crianças possam interferir no sexo se compartilharem o quarto com os pais e os médicos preocupam-se que o bebê possa ser ferido por um dos pais, rolando sobre ele se os pais e o bebê compartilharem a cama. Além disso, o crescimento da riqueza da nação tem ajudado a tendência para a separação, dando às famílias meios para comprar casas maiores, com quartos separados para as crianças.

O resultado, dizem Commons e Miller, é uma nação que não gosta de cuidar de seus próprios filhos, uma nação violenta marcada pelo distanciamento, relações não físicas,

Eu acho que há uma resistência real nesta cultura para cuidar das crianças ", diz Commons. Mas "castigos e abandono nunca foram uma boa maneira de se conseguir pessoas calorosas, carinhosas e independentes ".

Pra quem tiver um conhecimento maior que o meu tupinenglish, em inglês, aqui (http://www.news.harvard.edu/gazette/1998/04.09/ChildrenNeedTou.html).

tradução do blog: http://navemamae.blogspot.com/2011/04/quero-colo.html
---

Sobre a importância do choro: http://solucoes.multiply.com/journal/item/70



Fonte: http://www.evolutionaryparenting.com/?p=360

Por Tracy Cassels, estudante, mãe e autora de evolutionaryparenting.com. Tem bacharelado em Ciências Cognitivas pela Universidade de Califórnia, Berkeley e mestrado em Psicologia Clínica pela Universidade de British Columbia. Atualmente termina seu doutorado em Psicologia do Desenvolvimento com pesquisa focalizada nos fatores que contribuem ao comportamento de empatia nas crianças. Reside em Vancouver, Canadá com sua filha e marido.
Tradução de Andréia Mortensen

Comentários sobre os livros: Bed Timing: The "When-to" Guide to Helping Your Child to Sleep de  Marc D., Ph.D. Lewis e  Isabela, Ph.D. Granic (2009).

Save our Sleep Revised Edition de Tizzie Hall (2009)

Secrets of the Baby Whisperer por Tracy Hogg com Melinda Blau (2001). Em português: A Encantadora de Bebês Resolve Todos os seus Problemas.   


Vocês se auto denominam “encantadores de bebês” e “especialistas” em como fazer os bebês dormirem, e escrevem livros ensinando aos pais como cuidarem detalhadamente de seus filhos.

Entretanto, parece que vocês precisam de um belo refinamento em sua formação/educação. Olha, quando vejo uma mãe comprando seus livros, ou ouço suas aparições na TV dando seus ‘conselhos’, fico com coração partido pelos filhos dos pais que estão seguindo seus conselhos cegamente. Vocês fazem afirmações que não deveriam ser feitas, e os pais estão seguindos suas recomendações sem saber disso e com esperança de que estão fazendo o melhor para seus filhos. E vocês o fazem sem nenhuma consideração a uma super abundância de evidências científicas que sugerem que seus métodos não estão apenas equivocados, mas podem realmente prejudicar os bebês.

 Eu pensei, dado o fato de que sou candidata a PhD em psicologia do desenvolvimento com acesso a todos artigos científicos peer-reviewed que existem, em oferecer algumas lições grátis (palavra que vocês raramente usam) sobre vários tópicos de educação que vocês tanto gostam de escrever.

A princípio pensei que seria uma lição única cobrindo todos aspectos, mas percebi que resultaria numa matéria muito longa- obviamente que vocês precisam de tempo para integrar tudo e aprenderem a pararem de pregar para o povo novamente. Então farei-o em várias lições, cada uma cobrindo um tema.

Onde começar? Pensei em falar sobre o choro. Dada sua missão global de fazer os bebês pararem de chorar durante o dia ou noite, parece que vocês precism de um pouco mais de entendimento de por que bebês choram e o que significa um bebê que não chora. Então vamos começar.

Por que o bebê chora? 
A resposta simples é que eles estão comunicando alguma necessidade. A resposta mais complexa começa com o fato de que o choro é a única forma de comunicação que bebês novos tem, e que a evolução se deu de tal forma que os pais querem atender o choro. Irrita seus ouvidos e quebra seu coração de tal modo que você tem o impulso de atender as necessidades do bebê imediatamente, e NÃO te dá o impulso de ignorar o choro na esperança que ele pare.
Não interessa se você está dormindo ou não, ou se teu bebê estava dormindo, fisiologicamente um bebê chorará quando necessita de algo, a menos que: a) ele ou ela tenha sido treinado para não chorar, ou b) o bebê esteja num estado fisiológico que reduziria sua capacidade de chorar. Todos vocês, não importa se alegam ser favoráveis ao método de deixar o bebê chorando sem consolo para treiná-lo a adormecer sozinho ou não, sugerem formas de deixar o bebê chorando. E todos vocês promovem maneiras de "treinar" seu bebê para não chorar.
Então na verdade vocês propõem ignorar as necessidades do bebê e treiná-los a parar de comunicá-las a você. Para prosseguir devemos estar claros nessa questão, pois é crítico que entendam o papel chave que o choro desempenha na vida de uma criança. Entretanto, a questão ‘por que os bebês choram’ é bem simples. A maioria das pessoas tem consciência que é pelo choro que as mães irão trocar as fraldas ou amamentarem o bebê mesmo se acabaram de mamar, tudo para tentar atender suas necessidades. A verdadeira pergunta que deve ser feita é: o que significa quando uma criança não chora ou para de chorar? Por que um bebê parar de chorar?
Vocês tem esta resposta em todos seus conselhos, métodos de treinamento, sites e livros. Vocês supõem que porque um bebê para de chorar, ele ou ela estão bem. Ou se depois de duas semanas um bebê não chora mais antes de adormecer, ele ou ela aprendeu a rotina sugerida. Mas, infelizmente, para os bebês que têm que suportar os conselhos que vocês dão, esse não é o caso.

Então por que bebês realmente param de chorar?    
 a) A melhor resposta para o bebê é que suas necessidades foram atendidas. O bebê estava com fome e mamãe o amamentou. Bebê estava com fralda molhada e mamãe lhe trocou. A parte fascinante disso é que, ao atender as necessidades do bebê prontamente, há uma redução no choro a longo prazo de uma forma saudável. Mary Ainsworth e Silvia Bell, duas psicólogas do desenvolvimento, fizeram um estudo longitudinal na década de 70 na Universidade Johns Hopkins, e analisaram como mães responderam ao choro do bebê e como isso afetou seu comportamento a longo prazo [1].

O que elas descobriram foi que o quão mais rápido as mães responderam ao choro do bebê (não importando o quão efetiva foi sua tentativa de reduzir o choro num momento em particular), menos a criança chorava mais tarde. E mais, também descobriram que o contato maternal íntimo (ou seja, toque), foi a forma mais efetiva de parar o choro num dado episódio. Em resumo, quando suas necessidades foram atendidas os bebês pararam de chorar. E ainda mais, quanto mais responsivo o pai ou mãe forem ao choro do bebê, menos a criança chorará no futuro. Indo além, uma grande quantidade de pesquisas científicas sobre a teoria do apego demonstra que quanto mais responsivo o pai ou mãe são no primeiro ano de vida da criança, melhor será o apego e portanto melhor sua relação [2][3][4][5].

Em sintonia com esses pensamentos vem as pesquisas de Dymphna van den Boom, que trabalhou com mães de bebês de 6 meses que choravam bastante. Um grupo de mães foi orientado a aumentar a resposta positiva e a sensibilidade ao bebê e o outro foi o grupo controle [6]. No fim do terceiro mês ela descobriu que as mães do grupo experimental ficaram mais sensíveis, responsivas e estimulavam mais os bebês do que que mães no grupo controle. Além disso, os bebês desse grupo se mostraram mais sociáveis, tiveram maior interesse em explorar o ambiente e de se auto-confortar, e também choraram menos que o grupo controle. Estes efeitos de respostas maternas positivas no comportamento da criança também se extenderam a longo prazo, de acordo com as pesquisas de Maayan Davidov e Joan Grusec em crianças de 6-8 anos que relacionam maior responsividade materna ao estresse com maior nível de empatia e comportamento social nessa idade [7].

 Por que isso acontece? Bem, vocês estão certos sobre uma coisa- bebês aprendem e eles aprendem rápido. O que vocês estão errados é sobre o que eles aprendem. Quando novinhos, a única coisa que bebês realmente internalizam é o sentiment de serem atendidos e cuidados ou não, e isso terá uma grande influência no seu comportamento no futuro, o que inclue choro, empatia e solicitude. Nós só podemos saber o que aprendemos, então uma criança que aprendeu amor e compaixão e sensibilidade vai passer para frente esse tipo de comportamento, enquanto que a criança que conhece negligência simplesmente resignará a si mesmo. Vamos continuar discutindo essa questão.

 b) Uma segunda razão que o bebê pode não chorar é se há uma razão fisiológica ou física que o impede de chorar. A razão mais comum é uma mudança drastica na temperatura, especificamente super-aquecimento. O bebê super aquecido irá chorar até certo ponto, mas conforme a temperatura aumenta, as chances de chorar diminuem porque o corpo direciona as energias para tentar regular a temperatura, o que resulta em aumento ainda maior na temperatura e perigo para o bem estar do bebê. Um de vocês (especificamente Tizzie Hall, no livro Save our Sleep, 2009), promoveu que colocar várias camadas de roupa no bebê preveniria-os de acordar a noite, sob a suposição que bebês despertam porque eles estão com frio (não por causa das necessidades nutricionais e de conforto da amamentação). Os riscos de de superaquecer, ou hiperthermia, incluem convulsões, coma, danos neurológicos e morte [8]. Um caso clínico nos anos 70 mostrou que as doenças severas em 5 bebês (dos quais 4 faleceram) tinham um quadro de febre, choque, e convulsões antes de morte, com causa clínica mais provável devido ao super-aquecimento por uso de muitas camadas de roupa [9]. Hás evidências também que sugerem que hiperthermia tem um papel na Síndrome da morte súbita do berço (SIDS) [10][11][12]. É importante então lembrar-se da regra geral que bebês devem ter só mais uma camada de roupas que os adultos. Ao promover práticas que levam crianças ao super aquecimento, não se diminui somente sua capacidade para chorar, mas se aumenta o risco de morte.

 c) Finalmente, a razão mais provável de uma criança parar de chorar durante o processo de treinamento de sono é que ele ou ela desistiu ou aprendeu que não será atendida. Se você vê um bebê chorando como uma criatura manipuladora (como a maioria de vocês vêem), então achará positivo esse resultado da desistência do choro. Na verdade, essa era a visão vigente de comportamento infantil na metade do século 20, quando os pais foram orientados a não atender o choro e carregar seus bebês no colo com receio de ‘estragá-los’ e criarem pequenos tiranos [13].
Essa visão se alastrou uma vez que a teoria do aprendizado se tornou o leme na psicologia, quando demonstrou-se que as pessoas se comportam conforme recompensas e castigos que recebem. John B. Watson foi o primeiro psicólogo a promover o behaviorismo como uma forma de aprendizagem e o primeiro a extender essa teoria para a infância com seu famoso experimento com o 'pequeno Albert'.

Esse experimento foi um caso clínico demonstrando o condicionamento clássico (exatamente o que você todos propõem em seus livros) num bebê de 8 meses. Neste estudo, o menininho é condicionado a ter medo de ratos brancos. Para fazer isso, o bebê foi levado a uma sala e sentou num tapete enquanto que um rato branco de laboratório passeava livremente.

No início, o menininho não mostrou nenhum medo do rato. Quando ele tentou tocar o rato, Watson e sua assistente, Rayner bateram com um martelo numa barra de aço, fazendo um barulhão que fez Albert ficar com medo e chorar. Continuaram com esses testes, a cada tentativa de Albert de tocar o animal, eles batiam na barra de aço e assustavam o bebê. Eventualmente, o bebê Albert tenta escapar do rato, mostrando que ele foi condicionado a ter medo do animal. Surpreendentemente, duas semanas mais tarde, Albert mostrou medo de qualquer objeto peludo, mostrando que seu condicionamento tinha sido generalizado e permanente [14]. Baseado no seu trabalho e na crença forte no behaviorismo, Watson também escreveu sobre como educar crianças [15]. Seu foco foi que os pais deviam manter uma distância emotiva dos filhos para não estragá-los. Foi seu trabalho que levou à idéia generalizada de que não se devia tocar a criança com muita frequência (lamentavelmente ele mais tarde admitiu que ele se arrependeu de escrever sobre comportamento infantil porque ele mesmo compreendeu que ele não sabia suficiente sobre isso. Mas o dano já tinha sido feito)

Então você pode ensinar seu filho a não chorar condicionando-o a não chorar. Não respondendo seus choros lhe ensina que o choro não vai resultar em obter o que ele precisa. Enquanto todos vocês vêem isso como algo positive, tem uma consequência muito séria- desamparo aprendido.

O conceito de desamparo aprendido foi concebido por Martin Seligman em resposta ao behaviorismo. Seligman tinha feito trabalhos com cães e achou que eles não estavam se comportando da maneira que o behaviorismo prediz quando eles deveriam estar condicionados [16]. Especificamente, ele testou cães que foram condicionados a choques elétricos.
Em grupos, os cães foram amarrados juntos de modo que só um tinha controle no final dos choques elétricos; ao outro cão o final do choque eram randômico. Seligman e Maier, seu sócio nestas experiências, descobriram que o grupo de cães que não tiveram controle sobre o final dos choques exibiu comportamento muito parecido com depressão clínica em adultos. Além disso, quando estes cães foram então apresentados a uma situação que eles tinham controle, eles falharam em controlar- eles simplesmente sentaram-se e desistiram. Estes resultados foram duplicados com outros animais, inclusive bebês (embora num paradigma benigno) [17], todos com os mesmos resultados – uma vez que animais e bebês aprendem que não tem controle, eles param de tentar influenciar ao seu redor, chamar atenção, mesmo que o ambiente mude.

Choro sem consolo, rotinas rígidas, e comportar-se com a criança como se ela fosse manipuladora, levará à remoção de controle que uma criança tem sobre o seu ambiente. Chorar é a única forma de controle que um bebê tem e seu choro deve ser tratado com o respeito nós mostraríamos a outro adulto numa conversa sobre o que eles necessitam. E apesar de que experimentos que possam danificar a criança não foram feitos por uma questão ética, o psicólogo Dr. Kevin Nugent descobriu muitos sintomas depressivos em bebês cuja comunicação com seu pais é deficiente. Pais que não podem responder ou que são simplesmente não-responsivos as tentativas da criança de se comunicar tem bebês que exibem sinais clássicos de depressão grave [18].

 Em resumo, não responder as tentativas do bebê de comunicação irá resultar no mínimo numa desistência e possivelmente comportamento de desamparo aprendido a longo prazo. Esse tipo de não-choro é prejudicial para o bem estar psicológico do bebê a longo prazo, não importando o quão benéfico possa ser para pai e mãe no presente momento. 


Conclusões   
Espero que vocês tenham aprendido que: a) choro é simplesmente uma forma de comunicação e é a única que o bebê tem, e... b) que todas as formas de choros não são semelhantes. Bebês devem aprender que eles tem controle sobre seu ambiente e podem efetivar mudanças em suas vidas; eles também precisam saber que eles são amados e cuidados.

Eles não manipulam seus pais- na verdade, eles são incapazes de fazerem, e os trabalhos de Mary Ainsworth demonstraram que o choro está muito longe de ser uma forma de manipulação, mas é uma de iniciar comunicação entre bebê e cuidador e é essa comunicação que leva a diminuição natural do choro conforme o tempo [1][2].

E mais importante ainda é que vocês compreendam que simplesmente porque um bebê parou de chorar- como tão reconhecido que o treinamento de sono produzirá o cessar do choro- é que isso não é uma boa coisa.
Na verdade, o único tipo de final de choro que é bom é aquele que resulta do atendimento das necessidades da criança. O resto é simplesmente preparer a criança para ou risco de doenças ou morte (hiperthermia) ou prejuízo psicológico (desamparo aprendido). (Note que há também dano neurológico mas chegaremos lá quando discutirmos outras técnicas de choro sem consolo.) Claro, isso nos leva ao segundo tópico da série que será: Quais são as ‘necessidades’ dos bebês?
 O maior paradigma em seus programas de rotina e treinamento é que, se o bebê tem suas necessidades físicas atendidas, tudo bem deixá-lo chorando. Mas, você estão errados, então fiquem ligados no próximo artigo…

________________________________________
[1] Bell SM & Ainsworth MSD. Infant crying and maternal responsiveness.  Child Development (1972); 43: 1171-1190.
[2] Ainsworth MDS. The development of infant-mother attachment. In BM Caldwell & HN Ricciutti (Eds.), Review of child development research (1973) (Volume 3, pp 1-94); Chicago: University of Chicago Press.
[3] Egeland B & Farber EA. Infant-mother attachment: Factors related to its development and changes over time. Child Development (1984); 55: 753-771.
[4] Isabella RA & Belsky J. Interactional synchrony and the origins of infant-mother attachment: A replication study.  Child Development (1991); 62: 373-384.
[5] Isabella RA, Belsky J, & von Eye A. The origins of infant-mother attachment: An examination of interactional synchrony during the infant’s first year. Developmental Psychology (1989); 25: 12-21.
[6] van den Boom DC. The influence of temperament and mothering on attachment and exploration: An experimental manipulation of sensitive responsiveness among lower-class mothers of irritable infants.  Child Development (1994); 65: 1457-1477.
[7] Davidov M & Grusec JE.  Untangling the links of parental responsiveness to distress and warmth to child outcomes.  Child Development (2006); 77: 44-58.
 [8] Waldron S & MacKinnon R. Neonatal thermoregulation. Infant (2007); 3: 101-104.
 [9] Bacon C, Scott D, & Jones P. Heatstroke in well-wrapped infants. The Lancet (1979); 313: 422-425.
[10] Nelson EAS, Taylor BJ, & Weatherall IL. Sleeping position and infant bedding may predispose to hyperthermia and the sudden infant death syndrome.  The Lancet (1989); 333: 199-201.
[11] Ponsonby AL, Dwyer T, Gibbons LE, Cochrane JA, Jones ME, & McCall MJ. Thermal environment and sudden infant death syndrome: case-control study. British Medical Journal (1992); 304: 277.
[12] Kleemann WJ, Rothamel T, Troger HD, Poets CF, & Schlaud M. Hyperthermia in sudden infant death. International Journal of Legal Medicine (1996); 109: 139-142.
 [13] US Children’s Infant Bureau pamphlets (1924).
 [14] Watson JB & Rayner R. Conditioned emotional reactions. Journal of Experimental Psychology (1920); 3: 1-14.
[15] Watson JB. Psychological care of infant and child (1928). New York: WW Norton Company Inc.
[16] Seligman MEP & Maier SF. Failure to escape traumatic shock. Journal of Experimental Psychology (1967); 74: 1-9.
[17] Watson J & Ramey C. Reactions to response-contingent stimulation in early infancy.  Revision of paper presented at biennial meeting of the Society for Research in Child Development.  Santa Monica, CA, March 1969.
[18] http://www.irishtimes.com/newspaper/health/2011/0726/1224301372540.html (Accessed July 27, 2011)

Further readings on Emotion in Infants and Attachment Theory, as kindly recommended by Dr. Andreia C.K. Mortensen:
Wolff, P.H. 1987. The development of behavioral states and the expression of emotion in early infancy: New proposals for investigation. Chicago: University of Chicago Press.
Bowlby, J. (1969,1982) Attachment [Vol. 1 of Attachment and Loss]. London: Hogarth Press; New York, Basic Books; Harmondsworth, UK: Penguin.

---

Mais um texto muito bom: http://solucoes.multiply.com/journal/item/71



Educando os especialistas- Lição 2: Necessidades

http://www.evolutionaryparenting.com/?p=387

Por Tracy G. Cassels

Tradução de Andréia Mortensen

Aviso: Me desculpo com antecedência pelo tom ‘seco’ desse artigo. Infelizmente, há situações em que a informação precisa ser transmitida e não há como usar de delicadeza. Mas prometo que o artigo com a lição número 3 terá uma linguagem mais ‘sexy’.


Um dos mantras pregados por vocês que tentam “salvar o sono dos pais” é que uma criança que tem todas suas necessidades atendidas só chora para te manipular. Vocês afirmam que o choro é um mau comportamento e que precisa ser reprimido– pois você precisa mostrar ao bebê quem é que manda e que seu choro não vai resultar no que ele quer!

Entretando, se lembrarmos da lição número 1 http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=1122463&tid=5641849622478879557 Educando os especialistas- por que o bebê chora? Razões científicas porque treinamentos de sono não são recomendados

 O choro é a única forma de comunicação que bebês novinhos tem, então se o ignorarmos ou tentaremos reprimi-lo simplesmente estaríamos eliminando a única forma da criança nos dizer o que precisa. Ainda assim vocês dizem aos pais que, contanto que se certifiquem que a fralda está seca, que estão alimentados e quentinhos, que não há mais razões para o choro. Necessidades? Todas atendidas!
Então vocês dão permissão aos pais de deixarem seus bebês chorarem e de ignorá-los (ou de fazer outras coisas estúpidas como ficar no quarto olhando para eles mas sem permissã de tocá-los, de pegá-los no colo).

Mas eu tenho uma pergunta para os tais especialistas que gostaria de uma resposta:  Mesmo que não estejam com fome, ou com frio, ou secos, já se sentiram tristes, ou assustados?

 Ou simplesmente sentiram a necessidade de contato humano?  Se responderam não, vocês estão mentindo, ou são psicopatas. A razão que nos sentimos assim é que nossas necessidades vão muito além das necessidades fisiológicas e, sem sombra de dúvida, para um bebê, as psicológicas e emocionais podem ser tão importantes como as fisiológicas para sua sobrevivência. Como vocês chegaram a essa visão tão limitada sobre as “necessidades” dos bebês?
Reconheço que é real que temos necessidades fisiológicas que precisam ser atendidas antes de consideramos as psicológicas e emocionais. Precisamos de água, comida e aquecimento para sobreviver. Mas há mais, e eu consigo admitir que essa visão não é ‘privilégio’ de vocês. Lamentavalmente vocês parecem ter usado mais algumas páginas do manual dos ‘behaviouristas’ handbook, para o desespero dos bebês…

Behaviourismo 

Por muitos anos a teoria psicológica dominante foi a visão behaviourista liderada por John Watson, B.F. Skinner, e Edward Thorndike.

Como comentado na lição número 1, por causa dos da crença dos behaviouristas no condicionamento, o behaviourismo também tem como base a noção de que todos bebês nasceram como uma ‘tábula rasa’ ou papel em branco. Como John Watson afirmou em sua famosa afirmação sobre 12 bebês:

Me dê uma dúzia de bebês saudáveis, nascidos a termo, e me permita criá-los do meu modo, que lhe garanto que posso fazê-los se tornarem qualquer tipo de especialista que eu selecione- medico, advogado, artista, comerciante, e até mendigo e ladrão. Não importam seus talentos, capacidades, vocações e carga genética.[1] 

O que isso tem a ver com necessidades?  A base do behaviourismo é que não há algo como a introspecção; estados mentais eram irrelevantes sem comportamento [2], ou, como Skinner alegou, estados mentais eram absolutamente rejeitados [3].  Então, a visão da tábula rasa implica que as capacidades psicológicas dos bebês são diminuídas, se eles podem ser completamente moldados, não há muito com o que começar. A visão de que a criança aparentemente falha ao demonstrar fenômenos psicológicos foi usada como prova concreta de que elas simplesmente não ocorrem. Se não há estados psicológicos para competir, e somente aprendizado, então as únicas necessidades que os bebês tem são as fisiológicas. (Vale a pena notar que nem todos psicólogos ou até behaviouristas acreditavam nisso, mas esse visão se tornou mais proeminente e ganhou atenção das massas).

Por isso, e pelo fato de que o condicionamento não trabalha no sentido behaviourista, muitos conselhos sobre educação para os pais derivam dessa visão). Estados psicológicos dos bebês

 Agora sabemos que a idéia de que os bebês não tem estados psicológicos ou emocionais é falsa.
Bebês não tem o meta-conhecimento que a maioria dos adultos tem sobre seus estados psicológicos, mas ambos senso comum e pesquisas científicas demonstraram que bebês sentem estes estados regularmente e que a empatia e resposta dos pais aos bebês tem efeitos que vão além do que se pensa.
Na verdade, até os behaviouristas teriam que concordar que bebês experimentam emoções como medo, como demonstrado no experimento realizado por John Watson com o pequeno Albert (discussed na lição 1), em que o bebê foi condicionado a ter meto de ratos [4].  Então, se os bebês tem estados emocionais, qual o papel que os pais tem?
 Os pais que entendem o ’reflexive self’ (a noção de que podemos ter ciência de eventos mentais, emoções, etc e isso é diferente de SENTIR essas emoções) e usam esse entendimento na maneira que lidam com seus filhos, tem filhos que são tem apego mais seguro e que mostram melhor ciência de seus estados mentais mais tarde na vida dos que não tem esse apego firme com os pais [5].

Isto é, tratar um bebê sabendo que tem mentais e emocionais, não somente físicos, vai gerar um apego maior entre pais e filhos, e ajudará a criança a entender seus proprios estados emocionais no futuro ( isso não deveria ser surpreendente, mas por alguma razão essa não é uma visão comum).

Mais evidências focalizando nos estados psicológicos e mentais dos bebês e na relação com o comportamento de seus pais vem do Paradigma da face imóvel [6].  Veja video sobre isso aqui- http://www.youtube.com/watch?v=apzXGEbZht0

Neste paradigma, pais estão face-a-face com seus bebês, interagindo com eles, quando a mãe para de interagir e mantém uma face imóvel, sem expressar nenhuma emoção, e então após um tempo finalmente re-inicia a interação com o bebê. Durante o comportamente onde sua face está imóvel, os bebês mostram efeitos negatives que aumentam com o tempo, como rejeição, caretas, tenta agarrar a si próprio, e choro (entre outros).  Os motivos da criança mudar seu comportamento tem importância fundamental e há hipóteses com explicações.

Uma é que a mãe transgride as expectativas do bebê de comportamento e por isso fica angustiado.
Uma segunda hipótese é que a mãe parou de fornecer encorajamentos sensoriais importantes para o bebê conseguir regular seu proprio estado afetivo e social [7].

Pesquisas mostram que a segunda interpretação faz mais sentido, já que simpoesmente tocar o bebê durante a fase de rosto imóvel reduz o estresse que o bebê tipicamente apresenta [8][9][10]. Então, argumento que nós somos forçados a aceitar a noção de que não somente bebês tem estados psicológicos, mas a maneira com que nós interagimos com nossos filhos afetam esses estados profudamente, positivamente ou negativamente. Indo além, vamos considerar que tipos de estados psicológicos são relevantes como necessidades.
 O mais comum é se referir ao estresse infantil como necessidade de conforto, então a maior parte do que iremos discutir se refere a isso. Entretanto, eu seria negligente se sugerisse que essa necessidade é a única. Bebês precisam de estímulos sociais em qualquer estado emotivo, como o paradigma da face imóvel sugere; esses bebês estão felizes enquanto há interação e então tentam muito angariar a atenção de seu cuidador para retornar a este estado de social interação. Interessantemente, neste paradigma, mesmo após a volta da interação da mãe com o bebê, o padrão de excitação do bebê são estranhos– enquanto que o afeto positivo volta rapidamente, o afeto negativo não desaparece por um bom tempo, com aumento do choro por causa do evento negativo breve [11].  Este aspect provará ser mais importante na outra lição, mas isso demostra que a necessidade de reduzir o afeto negative no bebê pode demorar- não é uma resposta instantânea. Quais são as necessidades humanas?                         

                                         Mesmo durante o reino do behaviourismo na psicologia, a teoria do desenvolvimento humano estava sendo formada, o que teria um longo alcance. Abraham Maslow, pensando nas linhas de Freud e Erickson, desenvolveu um estudo sobre estágios do desenvolvimento psicológico humano.  Uma informação interessante e relevante é que seu foco foi no estudo das necessidades humanas.
A Hierarquia das Necessidades de Maslow enfatizou a visão de que, como humanos, temos níveis de necessidades e que somente quando um nível de necessidades é satisfeito podemos ter o ímpeto de satisfazer a próxima [12][13].  Geralmente interpretada na forma de pirâmide, os níveis são os seguintes (começando da última no fundo, ou da mais básica, até o topo):

  a)      Fisiológicas: respirar, comida, água, sexo, excreção, homeostase
 b)      Segurança: segurança pessoal e financeira, seguro saúde, doença e para acidentes c)       Amor e Relações afetivas: relações primárias na vida (família, amigos, romance)– note que na infância essa necessidade pode vir ANTES do item b, segurança.
d)      Estima: respeito, aceitação e valorização dos outros
e)      Auto-realização: compreender e cumprir um potencial pleno na vida

As primeiras 4 necessidades são referidas como necessidades de deficiência, porque são, na visão de Maslow, necessárias. Enquanto que a primeira é necessária para a simples sobrevivência do organismo, a segunda, terceira e quarta são também necessárias e Maslow argumenta que, sem elas, indivíduos se sentiriam psicologicamente privados (o que inclue tensão, ansiedade, depressão).

Outros pesquisadores testaram essa teoria e confirmaram os resultados, sugerindo que nosso bem-estar está intrinsicamente ligado a nossa capacidade de suprir essas necessidades [14]. Sim, é verdade que existiram críticas a hierarquia de Maslow[15], mas não houve críticas que sugeriram que essas necessidades NÃO eram necessidades mesmo.

Por exemplo, houve críticas sobre a natureza da hierarquia, alguns sugeriram que não havia necessidade de hierarquia para representar essas necessidades, enquanto que outros sugeriram que a hierarquia é dependente do contexto cultural (e então a terceira necessidade- amor e relações afetivas- seria mais superior em culturas de coletivismo).  Mas seria muito difícil achar um indivíduo hoje que assuma que humanos, até bebês, não tem necessidades que não as físicas. Espero que a este estágio vocês já aceitaram que as necessidades psicológicas e emocionais são reais e acontecem no mundo todo. Que assumir que somente o primeiro nível de necessidades fisiológicas tem importância quando se trata de bebês é ignorar todas as pesquisas científicas (e senso comum) que demostra que há muito mais no bem-estar do que simplesmente estar alimentado, seco e não ter dor física.  Importância das necessidades Fisiológicas e Emocionais Assumindo que nós estamos de acordo com necessidades psicológicas não são as únicas, a próxima questão é discutir o que acontece quando essas necessidades psicológicas e emocionais não são atendidas?  Aqui vou descrever 4 áreas de pesquisa que ajudam a demonstrar as consequências muito reais de ignorar as necessidades psicológicas e emocionais de nossos bebês.

   a)      Crianças em orfanatos no início para a metade do século 20.
Nossos melhores entendimentos dos efeitos de privação das necessidades emocionais e psicológicas vêm de estudos de indivíduos que cresceram em ambientes em tais ambientes e comparando-se com outros que tiveram suas necessidades atendidas. Isto é difícil de fazer, já que não se pode forçar uma criança numa situação que lhe prejudicará, mas, infelizmente, há situações que existiram que permitiram que esse tipo de pesquisa fosse feita. Por muitos anos, bebês colocados em cuidados institucionalizados, foram cuidados da maneira mais básica– eles eram segurados para se alimentarem, então trocados, e alguns tinham alguns móbiles para olhar– mas raramente eles eram estimulados socialmente e certamente não tinham suas necessidades de conforto emocional atendidas. Eles choravam e eram deixados chorando sem consolo em parte por causa da crença de que somente suas necessidades físicas tinham que ser atendidas. Mas algo estranho estava acontecendo… bebês estavam falecendo.

Na primeira parte do século 20, foram relatados que perto de 90% de bebês em orfanatos estavam morrendo, e os 10% que sobreviviam estavam recebendo algum tipo de cuidado de fomento (pais ‘foster’)[16].  Crianças que não morreram em orfanatos mostraram disfunções psicosociais (isto é, problemas de saúde mental) em estudos feitos na metade do século 20, além de estresse e doenças crônicas [17].

Notavelmente, tão logo que os orfanatos providenciaram conforto como parte dos cuidados básicos para os bebês, as taxas de mortalidade e morbidade diminuiram dramaticamente [18].

b)      Relatório de John Bowlby sobre ‘Cuidados maternos e saúde mental’ [19].

No final da Segunda Guerra Mundial, a OMS se mostrou extremamente preocupada com o que se mostrou ser resultados negativos da guerra nas crianças do leste europeu. Devido as trabalhos acadêmicos e clínicos de Bowlby nas crianças com problemas e efeitos das institucionalizações no desenvolvimento (que ele descobriu serem problemas mentais associados com a falta de necessidades emocionais e psicológicas atendidas), ele foi contratado para escrever um relatório sobre Saúde Mental das crianças sem teto e orfãs do Leste Europeu. Nesse relatório foi incluído que crianças precisam de uma relação íntima e segura, e contínua com sua mãe ou uma mãe substituta, e que a falta desse tipo de relacionamento  pode ter consequências sérias e irreversíveis para sua saúde mental. Ele notou que as necessidades sociais não são secundárias as necessidades físicas, mas que são igualmente primárias.

Bowlby foi um dos primeiros a argumentar que o relacionamento pela alimentação não era a maneira primária que a mãe afetava o bem-estar de seu bebê, mas sim a intimidade entre ela e seu bebê ao oferecê-la conforto era mais importante! A monografia, que foi altamente criticada na época, porque muitas pessoas argumentaram quye uma relação forte entre pai e filho não era necessária para o bem estar da criança ou que o amor maternal não era necessário.
A parte da alimentação, entretanto, foi a mais criticada na época, já que muitas pessoas acreditavam que só por atender uma necessidade física da criança já se estabeleceria um vínculo entre pai e filho, ou que contanto que a criança estivesse alimentada, não importava o que mais acontecesse. Mais pesquisas, includindo os trabalhos de Bowlby e Ainsworth a na teoria do apego, iriam silenciar muitas dessas críticas (embora é óbvio que não todas!), e hoje não há dúvida que falta de uma relação entre pai e filho ou falta de amor maternal e paternal resulta em deficiências de saúde mental.

 c)       Uma criança de 2 anos vai para o Hospital. 

Em 1953, James Robertson produziu um documentário sobre o que acontece com uma criança que tem que ir ao hospital e portanto sofre com separação maternal. Esse é um filme que quebra o coração que é agora mostrado em quase todos cursos sobre Psicologia do desenvolvimento.
A motivação de fazer esse filme foi que, na época, a visitação de crianças em hospitais era muito limitada, e durante seu trabalho como psicoanalista ele observou o comportamento das crianças após a separação. Os médicos que tratavam os problemas psicológicos observaram crianças novas (Robertson focalizou nas crianças menores de 3 anos) protestarem no início, mas também observaram que logo, logo, elas se tornavam obedientes e quietas (parece familiar, especialistas?).

O que Robertson observou após anos de estudo das crianças de uma perspective psicológica foram 3 fases de resposta: Protesto, desespero, então Negação/ Desapego[20]. O filme foi feito para mostrar evidências desse trauma e é centralizado na menina Laura, de 2 anos de idade, que vai para o hospital para uma pequena operação, mas tem que ficar 8 dias no hospital. Se você conseguir achar o filme e conseguir assistí-lo (pois você VAI chorar), você testemunhará uma criança que é muito nova para entender a ausência de sua mãe e que chora e chora por ela regularmente, mas que é forçada a encarar essa experiência muito assustadora e dolorosa, por conta própria. Ela finalmente se aquieta e “se ajusta” como os medicos dizem, mas uma vez que sua mãe retorna, o que vemos é uma Laura desajustada. Ela permanece distante, mesmo de sua mãe, mostrando sinais de ter sofrido um trauma massivo. Não há nenhum seguimento da vida de Laura, mas o filme é a razão porque muitos hospitais mudaram suas regras de visitação/permanência de parentes de crianças. Análises mais profundas das afirmações de Robertson demonstraram que era verdade que as mudanças nas políticas hospitalares eram absolutamente necessárias.

d)      Os macacos de Harry Harlow. 

Por causa do trabalho de John Bowlby e o filme de Robertson e a perda de cuidados maternais, Harlow decidiu estudar mais a fundo quais elementos cruciais das mães que estava dando resultados tão negativos relatados por Bowlby e Robertson.  Em estudos que jamais passariam nos comitês de ética atualmente, Dr. Harlow estava motivado a descobrir qual o peso relativo do elemento ‘comida’ e do elemento ‘conforto’ maternais.

 Para fazer isso, Harlow separou macacos bebês de suas mães no nascimento e colocou-os com 2 tipos de mães substitutas. No experimento mais marcante uma mãe era de ferro e tinha comida para o macaquinho, enquanto que a outra era de pano e foi projetada para dar alguma forma de conforto ao macaquinho. Muitas pessoas acharam que o macaquinho passaria a maior parte do tempo com a mãe de ferro que dava comida, mas exatamente o oposto aconteceu! Os macaquinhos iam a mãe de ferro quando estava com fome, mas passavam a maior parte do tempo com a mãe de pano. E quando alguma coisa negativa ou assustadora acontecia, eles se agarravam as mães de pano para se protegerem e se confortarem. Quando os macaquinhos foram transferidos a novos ambientes com sua mãe de pano, eles usavam-a como base de exploração. Se não havia nenhuma mãe presente (de ferro ou pano), os macaquinhos se tornavam irregulars, erráticos, perturbados e violentos. Eles mostravam medo do ambiente e não tinham base segura para explorar; e somente a  mãe de pano ofereceu lhes deu a fundação psicológica.

 Em resumo, apesar de terem suas necessidades fisiológicas imediatamente satisfeitas com a mãe de ferro, somente a mãe que lhe deu conforto (embora não satisfatório) é que lhe providenciou o conforto psicológico necessário para que os macacos lidassem com novas situações.

Essas pesquisas então demonstraram que falhar ao  atender as necessidades psicológicas e emocionais dos bebês resulta em déficits sociais dramáticos, problemas físicos mais tarde na vida, e até a morte.

Eu sei que a maioria de vocês diria que hoje em dia esses pais que seguem conselhos de seus livros não estão passando por circunstâncias extremas. E vocês estão certos. Mas, ao saber o que acontece em casos extermos, podemos ser capazes de entender alguns dos efeitos mais sutis que podem acontecer de uso moderado desses comportamentos. É importante lembrar que esses efeitos não acontecem numa escala móvel- não é TUDO ou NADA – e que efeitos de negligências regulares de alguns dos elementos psicológicos e emocionais terão efeitos a longo prazo e de longo alcance nas crianças.

Resumindo … apesar das melhores tentativas dos behaviouristas de nos fazer acreditar que os bebês são realmente tábulas rasas sem estados psicológicos,  sabemos que isso não é verdadeiro. Bebês podem não ter uma consciência complete dos seus estados interiores, mas eles sentem e experienciam o mundo socialmente e estes estados são sem dúvida tão importantes como seus estados físicos. 

Pesquisas mostraram que falhar ao atender essas necessidades psicológicas e emocionais pode levar a deficiências mentais severas, doenças e até morte.

Portanto, são ridículos e prejudiciais aos bebês conselhos que insinuam que todas necessidades do bebê estão atendidas porque a fralda está trocada e estão alimentados. Então o que podemos fazer?

Bem, isso será discutido na lição número 3, com enfoque na importância do toque.

  [1] Watson JB. Behaviorism (1930).  Chicago: University of Chicago Press. Pp 82.
[2] Watson JB. Psychology as the behaviorist views it. Psychological Review (1913); 20: 158-177.
[3] Skinner BF. About Behaviourism (1974). Cape.
 [4] Watson JB & Rayner R. Conditioned emotional reactions. Journal of Experimental Psychology (1920); 3: 1-14.
[5] Fogany P, Steele M, Steele H, Moran GS, & Higgitt AC. The capacity for understanding mental states: The reflective self in parent and child and its significance for security of attachment. Infant Mental Health Journal (1991); 12: 201-218.
 [6] Tronick EZ. Emotions and emotional communication in infants. American Psychologist (1989); 44: 112-126.
[7] Stack DM & Muir DW. Tactile stimulation as a component of social interchange: New interpretations of the still-face effect. British Journal of Developmental Psychology (1990); 8: 131-145.
[8] Gusella JL, Muir DW, & Tronick EZ. The effect of manipulating maternal behaviour and interaction in three- and six-month-olds’ affect and attention. Child Development (1988); 59: 1111-1124.
[9] Stack DM & Muir DW. Adult tactile stimulation during face-to-face interactions modulates five-month-olds’ affect and attention. Child Development (1992); 63: 1509-1525.
 [10] Stack & Muir (1990).
[11] Weinberg MK & Tronick EZ. Infant affective reactions to the resumption of maternal interaction after the still-face. Child Development (1996); 67: 905-914.
[12] Maslow AH. A theory of human motivation. Psychological Review (1943); 50: 370-396. [13] Maslow AH. Motivation and Personality (1954).  New York: Harper.
[14] Hagerty MR. Testing Maslow’s hierarchy of needs: National quality-of-life across time. Social Indicators Research (1999); 46: 249-271.
[15] Gratton LC. Analysis of Maslow’s need hierarchy with three social class groups. Social Indicators Research (1980); 7: 463-476.
[16] Montague A & Matson F. The Human Connection (1979). New York: McGraw-Hill.
 [17] Sigal JJ, Perry JC, Rossignol M, & Ouimet MC. Unwanted infants: Psychological and physical consequences of inadequate orphanage care 50 years later. American Journal of Orthopsychiatry (2003); 73: 3-12.
 [18] Montague & Matson (1979).
[19] Bowlby J. Maternal care and mental health. World Health Organization (1951). 
[20] Robertson J. Some responses of young children to loss of maternal care. Nursing Times (1953); 49: 382-386

---