domingo, 10 de maio de 2015

olha pro céu, meu amor

aquele momento em que abrimos a boca e a voz da nossa mãe sai ao invés da nossa. ou que aquela voz foi tão poderosa que modelou a nossa. 

me pego rindo das vezes em que vejo meu DNA gritar nos trejeitos, na postura, na escolha dos óculos, no afeto pelas coisas do sertão onde poucas vezes pus os pés, no carregar das bolsas mais esdrúxulas com os mais esdrúxulos recheios...

o certo é que me vi cantando pros meus filhos as músicas que minha mãe cantava pra mim - especialmente uma que cantei pros dois sem me dar conta.

o certo é que não tem cesárea, mamadeira, medicamento, condição e distância que distância que desfaça esta teia que nos une pelo sangue, pela placenta, pelo cordão e pela natureza.

quando olhamos para o olho de nossa mãe, olhamos pro céu e vemos como sempre está lindo.




quarta-feira, 6 de maio de 2015

brincar de lembrar

um pedacinho de papel + um lápis = viagem de volta à infância
quem já brincou disso?
hoje fizemos come-come de prendas, personalidades, cores e letras - muito legal. ele aprendeu na biblioteca da escola, todos nos divertimos e adorei esta memória.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

meu avô



hoje meu avô faria 102 anos, eu gostaria de mandar pra ele um balão com as minhas notas mal tocadas das aulas de piano para as quais ele me levava porque acreditava que a música clássica (assim como o inglês e a faculdade de direito) me faria culta. neste balão iriam também as risadas minhas e dos meus primos enquanto assistíamos os trapalhões nos almoços de domingo e o cheiro e o gosto das mangas que plantou no quintal da nossa casa da ilha... saudade...

com JulianaBrunoDaniela e Laila

domingo, 25 de janeiro de 2015

um bom dia à humanidade

Texto da minha amiga Maria Laura Calmon*

Mil vezes boa noite. Esta é uma "fala que vem de Shakespeare, frase que Julieta diz à Romeu, o último verso quando a ama a chama e se despede do recém-descoberto amor de sua vida." Dizer mil vezes boa noite nesse belíssimo filme, de uma sutileza dilacerante, parece ter um significado de negação dos desejos e das paixões. O filme retrata a história dessa fotógrafa profissional, que arrisca a própria vida, absolutamente mo-vida à paixão por uma causa de denunciar, através dos seus registros fotográficos, a atrocidade dos conflitos étnicos e das guerras, acreditando, assim, contribuir para mudar esse estado de coisas. A paixão é vivida na pele feminina, perpassando todo o conflito existencial, tão corriqueiro na atualidade, de uma mãe, mulher e profissional. Uma mulher que vive o dilema por também amar a sua família, tentando, por "mil vezes", abrir mão da sua "causa" para se entregar às "amenidades sociais" e à segurança de um lar feliz e tranquilo. Porém, a estória se desenrola à custa de muito sofrimento dela e da família. E como crescemos no sofrimento, sobretudo quando aceitamos nossa condição humana e nos assumimos imperfeitos, reconhecendo que não "podemos fazer nada quanto a certas coisas" (frase dita pela protagonista). Muitas vezes, é preciso arriscar e seguir em busca daquilo que acreditamos, enxergando que "começamos algo de que não podemos fugir" (fala também da personagem).

Isso tudo é trazido num contexto de criação dos filhos, percebendo-se quão rica é a relação entre pais e filhos (no caso, entre mãe e filha) quando simplesmente nos colocamos como humanos, com todos os nossos acertos e erros.

Emocionante é ver o espelho materno para a filha que queria a mãe para si, segura e tranquila, mas, num dado momento, compreende aquela mulher que se entregava à paixão por uma "causa de salvar outras crianças" (dito pela própria filha). O filme é de uma riqueza de detalhes, imagens e metáforas, como a cena da fotógrafa que aparece em diversos momentos a mergulhar no oceano. Essa metáfora é bem retratada pela filha adolescente, que encoraja a mãe, quando a mesma resolve retornar para completar a sua missão como fotógrafa, ao lhe dizer que a filha menor também a admira por saber que ela nada no oceano em muitas estações do ano. O filme diz tanto com personagens praticamente mudos, sem monotonia alguma, com um show de sutileza de interpretação artística.

Admirável é a postura de denúncia da protagonista, que responde à indagação de sua filha de que foi a raiva a mobilizadora da sua escolha por retratar o horror das guerras para a humanidade. Incrível quando ela diz que quer "que as pessoas cuspam os seus cafés ao abrir o jornal de manhã", o seu propósito, sem vaidade alguma, de que precisa denunciar para transformar.

Tem um outro ponto bem interessante abordado no filme, que é exatamente o conflito humano de registrar o fato no exato momento do sofrimento alheio, de que o repórter precisa estar ali forte na sua missão de captar a tragédia, através da fotografia, para denunciar.

Isso, no meu entendimento, é retratado, de forma clara, no final surpreendente de reconhecimento, mais uma vez, da falibilidade humana, quando aquela mulher, ainda que movida por tanta crença e paixão no seu ofício, não consegue cumprir a sua última missão de fotografar o trágico acontecimento, rendendo-se à emoção final (não posso revelar qual é a cena para não frustrar aqueles que ainda não assistiram ao filme.)

De fato, merece muitos aplausos essa impactante obra! (Mil Vezes Boa Noite, filme do norueguês Erik Poppe.)

(*) Maria Laura Calmon, mãe, humana e apaixonada por Arte.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

feliz tudo novo

doismilequinze é mais que um ano novo. é um tudo novo.

é mais que uma página do calendário que, virada, nos dá a sensação de recomeço meramente formal e burocrática.

doismilecatorze me parece o último ano de uma era. doismilesete-doismilecatorze foi decisivos na minha vida profissional e pessoal. doismilecatorze foi decisivo na vida de muitos amigos ao meu redor.

doismilecatorze foi um ano intenso, desafiador e maravilhoso pra quem não gosta de tédio. deu novo gás em quem acredita na utopia de um mundo bacana pra todos e não só pra si. foi também revelador, acabou com ilusões e inocências. tempo de provas, certezas, dilemas, construções e reconstruções.

doismilecatorze me deu grandes oportunidades de aprendizado, de amadurecimento e de mudança de correção de rumo. sinto-me quase pronta pro monte de coisas novas que quero testar.

terei trinta dias pra parar, relaxar, conectar-me com velhos e novos desejos de destino e, assim, refazer algumas rotas. não estranhem: mudanças sempre hão de rolar por aqui.

feliz 2015: será bacana, acreditem!