Este post é uma contribuição individual ao
Food Revolution Day, que acontece amanhã em todo o planeta e em várias cidades brasileiras e para uma blogagem coletiva promovida pelo site
Alimento Puro, onde você pode encontrar uma lista eventos ligados ao #FRD2013 no Brasil.
Aqui em casa, é mais de um ano de revolução e crescimento da consciência sobre alimentação. Se sempre fui cuidadosa com as coisas que consumimos via olhos e ouvidos, achava que meus cuidados eram suficientes em relação à alimentação, mas estava cometendo um bando de erros em nome de não ser radical-fanática-xiita. Este post aqui é para registrar nossos progressos (talvez tenham grandes diferenças entre outros posts da mesma linha).
Outra reflexão importante foi sistematizada pelo pai de dois: ele diz que muitas vezes compra guloseimas como forma de agradar, de dar amor... Ele diz que um chocolate pode ser um carinho e conta porque sempre traz sobremesas achocolatadas para mim que tenho um laço afetivo com este item "ela vai gostar, ela vai ficar feliz, vou levar" mesmo quando eu estava no clímax da dieta! Isso em relação às crianças é mais intensivo! Ou seja, agora passamos a ter muita atenção com estes pseudocarinhos presentes nas telas de tv e nas prateleiras dos supermercados.
Vamos ao que mudou!
Algumas coisas nunca foram oferecidos para as crianças:
- biscoitos recheados;
- farináceas lácteos e engrossantes;
- refrigerantes e bebidas gasosas flavorizadas;
- toda sorte de balas, pirulitos e chicletes (só consumidos em festinhas).
(que me lembro)
Neste tempo tomamos algumas medidas radicais-fanáticas-xiitas:
- eliminamos o suco de caixa do carrinho;
- bebidas de soja que algum dia entraram tem mais muito tempo que não são toleradas;
- bebidas achocolatadas de caixa banidas;
- jujuba de goma, substitída por jujuba de alga (mais cara e um pouco mais saudável);
- porcaritos e salgadinhos de pacote banidos!
(que me lembro)
- macarrão instantâneo banido
(lembrei depois)
Outros itens tem consumo tolerado, mas poucas vezes entram na nossa geladeira:
- petit suisse apenas em alguns finais de semana para o mais novo;
- leite fermentado também em alguns finais de semana;
- os embutidos, que eu tanto gostava, também foram banidos da geladeira e só como em refeições fora de casa (eu gosto do sabor, mas não quero consumir tanto sódio, nem tão pouco deixar como regra um produto tão ultra processado). Por sorte, marido e filhos nunca gostaram!
- fast food: estamos boicotando, mas parentes e amigos podem oferecer.
(lembrei depois)
Nosso almoço sempre foi razoável mas também passou por algumas mudanças:
- diminuímos a quantidade de proteína animal. Não tenho a pretensão de eliminar (precisaria de outro post para explicar porquê), mas hoje sabemos que não precisamos comer tanta carne diariamente;
- começamos a fazer molho de tomate caseiro: não usamos óleo de cozinha há anos, cozinhamos com azeite de oliva ou molho de tomate, desde que aprendemos a técnica num curso de culinária natural. Antes usávamos o molho de tomate pronto, mas agora com esta intensividade na reflexão, abrimos mão desta praticidade e ganhamos em sabor e saúde.
As crianças passaram a consumir produtos de melhor qualidade:
- A mais velha, que já não tolerava petit suisse e não consumia iogurtes, agora adora iogurte integral adoçado;
- Os dois têm suas preferências em relação às frutas secas e castanhas, então toda uma sorte de nuts são compradas para o lanche.
-
O mais novo que ama requeijão cremoso, especialmente o cream chesse,
aprovou a versão caseira feita com ricota e iogurte natural integral,
temperada com sal e azeite de oliva.
- Os dois que amam leite com achocolatado passaram a tomar leite com cacau em pó.
Quero destacar estas adaptações que fizemos para as crianças:
- milk shake de cacau em pó.
- cream cheese de ricota da mamãe.
O caso do achocolatado:
- depois que vi o documentário "Muito Além do Peso" comecei a ler todos os rótulos em busca das quantidades de açúcar. Foi quando descobri que o nescau, o toddy e os companheiros têm entre 75 e 80% de açúcar. Comecei a dimunui tanto as colheradas a que as crianças tinham dereito que em pouco tempo o leite era isso mesmo: leite com açúcar.
- busquei alternativas e achei o cacau em pó: e precisamos passar por uma transição, pois não foi fácil adaptar o paladar acostumado com os achocolatados.
- eles não toleraram o cacau sem açúcar e tivemos que usar duas colheres de açúcar para cada uma de cacau /o\ (66%, menos que os 80% achocolatados)
- ficamos meio frustrados por estarmos ainda usando tanto açúcar e conformados por usar um açúcar menos pior que a indústria usa - com certzea!
- não desistimos: fomos diminuindo continuamente as colheradas de açúcar, chegando ao que estamos usando hoje meia colher de açúcar para uma de cacau em pó (33%) \o/
E NESTE FINAL DE SEMANA ALICE DISSE 'ADOOOOORO ESTE MILK SHAKE!!!'
O caso do cream chesse:
- Arthur adora aquele cream chesse estilo filadélphia, sabe? ele chega a comer puro.
- o fato deste produto ter um monte de ingredientes que eu não sei para que servem e o fato de ser um produto processado (provavelmente ultra processado) começou a me incomodar.
- decidimos fazer um cream cheese caseiro a partir de algumas orientações compiladas na internet, da experiência da minha sogra e de minha imaginação,
- nossa receita tem: ricota, iogurte natural, uma pitada de sal e azeite de oliva no liquidificador ou processador. dura uma semana na parte mais fria da geladeira.
ELE DISSE QUE O MEU É MAIS GOSTOSO QUE O DA CAIXA!
e eu estou morrendo de amor...
O melhor: serve de base e podemos usar para fazer patêzinhos diferentes, cenoura, salmão com cebolinha, manjericão, tomate seco, gorgonzola, azeitona, mix de pimentas, mix de erva, alcaparras e o que a boca pedir... Dá para servir com torradas, biscoitos e massinhas, rechear pães e até panquecas
Confira
aqui o passo-a-passo da base.
O caso da mãe cozinheira:
- voltei a ter muito prazer em cozinhar para as crianças e desde que comecei fiz algumas boas adaptações nas receitas de brigadeiro,
bolinho (muffim),
bolinho de arroz e biscoitos, além das minhas adaptações leves de comidas que vejo por aí que são executadas com afinco e sucesso pela empregada: sopa de abóbora com camarão e caldinho de aipim com carne seca. Agora não paro mais!
+ + +
Enfim, começar certo é muito mais fácil, mas sempre é tempo para mudar. Se você tem um bebê pense muito antes de apresentar as comidas práticas que o mercado oferece (se não tiver muito açúcar, tem muito sal). Se seu filho já é maiorzinho e não come aquilo que é o melhor para ele, insista, observe, ache uma estratégia, uma receita e, pimba, quanto menos esperar ele estará adaptado!
Só recomendo que não faça isso de supetão, ajuste suas expectativas e trace um plano de mudança contínua e asseretiva. Algo que tem me feito muito bem é me abrir às informações e implementar aquilo que é possível para mim, com a consciência que ninguém passa dos empacotados para os orgânicos-feitos-em-casa de uma tacada só.
Repito o meu selinho favorito, pois sou a prova viva que nada está tão bom que não possa melhorar, desde que respeitemos o nosso corpo, a nossa história, a nossa trajetória e o nosso tempo:
(*) este texto não deu conta de tudo o que mudamos, cada hora lembro de mais alguma coisa, mas o espírito está bem claro, néam?